Eu agora me desnudo nessa fragilidade da condição humana.
E nessa nudez, que remete à fragilidade, me fortaleço.
Desnudar nesses tempos é ato de coragem, e, só desnuda posso começar a escolher.
Parar e refletir, me desnudar para me ver, fazer para desfazer, desconstruir, refazer, construir outra coisa - é aí que reside a coragem.
Se desmanchar, morrer para renascer, fragmentar...
Me perco na minha vitimização e me encontro na perda do outro, aquele a quem escuto, acompanho e quase me sento ao lado para chorar.
Mas a aposta é na coragem, na vontade pela vida, no impulso de prosseguir com o cotidiano, mesmo que seja um tormento.
Que meu tormento seja minha coragem; para eu sempre falar de mim sem me esquecer, para que possa me recuperar sem me esquecer do outro, pois a coragem pressupõe a alteridade, a crença no outro e nos dias melhores.
Coragem para enlutar e me desapegar, para poder, novamente, me apegar.
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