quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O que é justo?

Não, não estou satisfeita e talvez nunca ficarei.

O que acho que poderia me deixar seria ter justiça. E qual? Aquela do que eu acho justa pra aliviar minha dor, vergonha e humilhação.

O que acho justo, neste caso, afinal?

O reconhecimento sincero dele sobre ser medíocre, hipócrita, mentiroso, traidor. Admitir que usa as pessoas em benefício próprio, que é obsessivo por enganar os outros, que é egoísta a ponto de pedir ao outro que abandone sua própria vida para viver a vida dele; que é um sacana e anti-ético já que se diz professor sem ao menos ter um diploma; que é um perverso por ter relações sexuais com uma aluna; que é perverso, em todas as acepções da palavra.

E só isso bastaria? Não, acho que não.

Queria transferir todos meus tormentos a ele; todas as angústias vividas, as noites mal dormidas, os medos que sinto a cada mensagem, toque de telefone, cada vez que abro os olhos. Trauma? Sim! Reconheço um trauma, ou seja, uma marca horrorosa deixada por ele.

Fotos de casa, supermercado, futebol, sala de aula, alunos, desculpas que acreditei, pedidos de retorno, palavras mal ditas, tudo isso, tudo isso me dói ainda.

Não quero mais sentir, quero transferir tudo isso pra vc. Mas isso me faria parar de sentir?

Não, acho que não.

Queria não ter te conhecido, não ter te escolhido, não ter vivido ao seu lado, não ter me esquecido de mim; queria só apagar, mas isso não é possível.

Queria que sofresse, que perdesse os dentes, o sorriso, a alegria em viver; queria que passasse por tormentos, abandonos, daqueles que rasgassem a alma, e de tanto não suportar, enlouqueceria, babaria, mijaria em suas calças e não teria ninguém pra te cuidar.

Queria que no seu solitário e medíocre final um único pensamento lhe sobrasse: sou um lixo, sou nojento, egoísta e mereço passar por tudo isso por todo mal que causei. E que na sua lápide constasse: Aqui jaz um ninguém!

Isso me bastaria? Talvez. Mas este fim é incerto e de incertezas já basta a vida que levei com você.

E, pra não correr o risco de deixar minha vida nas mãos do destino, de Deus, o de qualquer outra coisa que o valha, eu decido fazer justiça - te matando dentro de mim.

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